16.2.12

 

Vá-te!


Vate via em si o reflexo do desdestino.

Via o que não havia.

Mas, vacilando, vaticinou: vá, sina, ser a vacina de mim!

4.2.12

 

Buquê SP II


São Paulo é um graveto disfarçado de buquê.


 

Copromancia


Tinha mania de ficar adivinhando o futuro em suas obras.

Um dia, parou e estancou.

Tava lá.

Nítido.

“MS”: morte súbita.

Tentando enganar o destino, preferiu ver manhã suave.

Mas aí a cagada já tava feita.

Era tarde.

 

Cerveja-almoço


Pela cerveja de hoje, o almoço de ontem.

30.1.12

 

Palace 3


Como predito, nossos prédios já nascem predispostos ao fracasso.

Do alto dos seus engenhos (senhores de engenho), eles tendem ao chão nas suas ânsias sãs de voltarem ao pó, verterem lágrimas e concretarem destinos.

São arranha-céus feitos por engenheiros-dinheiros que arranham vidas, arruínam pessoas e ruminam futuros.

Feitos de concreto, quedam-se virtuais na sua segurança debilitada, no seu desabite-se e na sua propina fundadora.

Travestidos de palacetes, empalam-nos e palafitam-se ao vento de assopros fiscais, prefeituras desedificantes e governos desgovernados.

Ao construí-los, destruímos este país que desde cedo cedeu sua sede aos que têm sede de poder.

Ao destruí-los, construímos nossas covas rasas de corpos cheios de entulhos.

Ao reconstruí-los, refundamos nossa obra de dejetos a céu aberto.

26.1.12

 

Buquê SP


São Paulo é um graveto transformado num buquê.

24.1.12

 

Titanic mon amour


A bombordo, só ficaram bons moços transbordados de bons modos.

A estibordo, só restaram os que tinham medo encharcado de frágil.

À frente, um capitão que deu pra trás.

E que não sou eu nem nunca fui.

Por mais que minhas roupas impecáveis brancas bancassem, que as insígnias sem sentido significassem e que toda a tripulação fosse tripudiada por mim.

Não.

Não sou capitão, nem comandante, nem marujo sujo de consciência limpa.

Minha missão naquele navio não era dar o bote a todos, mas dar o bote na primeira oportunidade.

E ser o último a sair só nos sonhos daqueles que nunca tiveram a vida naufragada pelos mares salgados e negros da realidade.

Muito menos dar lição de moral em capitanias de portos chafurdados por porcos ansiosos em se tornarem heróis.

O “Vá a bordo” não era uma ordem acertada pra ser dada nessa desordem do mundo.

Mas também não sou esse Schettino covarde que essa mídia de merda moldou.

Sou só um mero ex-cretino.

8.1.12

 

Cracrolândia espalhada


Espalhar o medo.
Espelhar os mortos.
Zumbizar os vivos.

Não foi isso que vocês pediram?
Queriam?
Imploravam?

Devolver a cidade e a felicidade aos cidadãos?
Exterminar esses zumbis que resistiam e insistiam em existir e enfear nossa metrópole?
Que vagavam e vagabundavam suas ancas e pelancas naquele centro de Novas Luzes de vidas apagadas por cachimbos acesos e acessos restritos?
Que davam o próprio corpo roto feito ratos esgotados no esgoto em troca de um crack-pedra em nosso sapato?

Nós fizemos.

Se usamos psicologia, assistência social, filantropia, fisiologia eleitoral ou porrada na cabeça, não faz diferença.
Se Higienópolis agora está infestada e enfezada por abrigar e brigar com os restos desses trapos vestidos de desumanos, não é nossa culpa.

Nossa missão é manter a cidade limpa.
Nem que pra isso tenhamos que esconder a sujeira debaixo de viadutos e vias sem vista e sem saída.

Por isso, ao encontrarem um deles, não se assustem.

Nós espalhamos a morte pra não empalhar a vida.


2.11.11

 

Órfão II

Uma retomada do começo e o possível fim de um ciclo.


(Depois de cinco anos não seria muita falta de criatividade cometer um bloguecídio

justo no Dia de Finados?)


 

Órfão II


Já sequei esse choro.

Daqui não sai mais nada.

Lágrimas, sangue, emoção, esperança, esperma, DNA, NADA!

Ninguém vai tirar nada do que é meu.

Desse meu eu tão pouco e oco, apequenando-se, subtraindo-se, dividindo-se e recusando-se a se multiplicar em qualquer outro eu que me tire código genético, doença hereditária, falta de caráter ou ganhe de mim em fracassos sucessivos.

Neste país sem pais nem pátria, não quero ver nenhum óvulo cego gritar em ultrassom seu direito torto de estancar esse aborto e não nascer natimorto.

Eu já morri muitas vezes em mim.

A cada vez que me espelho, reparto e parto grávido de incertezas, ávido por mudanças e sem exames de consciência.

A cada vez que piso sem chão, me abismo de mim e aprofundo essa depressão.

A cada vez que olho pra trás e trago do passado um presente sem futuro.

Sem ter datas comemorativas, natal ou pré-natal.

Esses eus que morreram em mim não merecem ressuscitar em nada do que a vida ouse vingar ou me vingar.


27.10.11

 

Texto proibido para quem ainda tem esperança


Não tentes achar neste texto o teu desfecho.

Se ele não se fecha em si, é para abrir em ti o caminho do desleixo.

Nem entres nestas entrelinhas de paralelas entrecortadas.

O que se espreme nelas não se depreende e nem se desprende do teu cérebro ausente.

São meras não-palavras apalavradas com o único intuito de ti apavorar.

Seus falsos significados fazem sentido hipotético num mundo hiperbólico de hipocrisias em crise.

O que dizer diante dos ditos reditos?

O que escrever pra não me escravizar em ti?

Por que ser entendido se é a ideia é não me estender?

Pra que ter este texto?

Pra livrar-te por alguns segundos do teu mundo moribundo?

Pra que completes lacunas de uma vida oca e una?

Pra mostrar-te que auto-ajuda apenas afunda a sua baixa estima?

Não.

Este texto vago só espera que tua esperança te dê um tranco depois deste trago amargo.


21.10.11

 

Lixo hospitalar


Dejetos não são nossos maiores defeitos.
São só peças esquecidas que nos lembramos de lhes enviar.
Que não podiam ficar aqui.
Que não combinam conosco.
Porque temos cura.
Cultura.
Riqueza.
De-sen-vol-vi-men-to!
E safadeza pra envolvê-los nisso.
Nesse lixo sórdido, fétido e moribundo dos nossos doentes.
Que vai transmitir a vocês o que temos de pior.
Sim, porque nosso pior é o que pode haver de melhor pra vocês.
Infeccionando-se de nós, talvez consigam um pouco do nosso DNA.
De moléculas de séculos de ódios de raça pura e preconceitos pútridos.
Das nossas doenças crônicas, ganâncias múltiplas e safadezas mórbidas.
Envoltos nesses lençóis, não se revoltarão mais com o frio.
Terão no leito o nosso re-jeito.
Tomarão nossos tumores, verão nossos vírus e gemerão com nossos germes.
Fizemos isso para curar vocês.
Curar vocês de serem vocês.
Infectando-os de nós.


12.10.11

 

Minicontos fraseados VI
(Retrospectiva dos 5 Anos)


Ultrapassar o limite de si para chegar ao começo do outro.

Grávidos só da gravidade e sua grave leveza. Partindo prum parto às avessas sem data pra cesarianarmos uns aos outros.

Estar ensimesmado pode ser bom, se ainda houver alguém dentro de você que tolere sua insignificância.

nosso torto DIREITO penal sem nenhuma PENA.

Giganteando-nos menos. Apequenando-se mais.

A ilusão é um falso chão.

a desgraça engraçou-se de nós.

em redemônios moinhos gigandantescos

Sob nossos pés já não sobrávamos sobre nós.

progressão geomórtica

Em cada trago, trago pra mim o estrago do meu eu.

inspirado por uísques e vodcas e cervejas sem marca e mulheres marcadas e papos marcantes

Tudo isso pra ver se, sendo tão depravada, eu goze, enfim, da re-putação da minha ex-vida privada.

vestida a caráter (o mesmo que lhe falta)

Quede vala que os valham?

bombeando o gozo da vitória napalm da mão de um tratado mútuo de cessar-fogo imposto à queima-roupa.

O manto úmido da saudade.


6.10.11

 

Exercício diário de desapego


Quando também caíram os olhos, começou a se preocupar.

“Quer saber? Até que pode ser bom.”

Depois das últimas perdas, maiores e mais freqüentes, não veria nada. Antes, só terror.

Começou com as unhas desunhando dos dedos sem motivo aparente. “Sem papo chato de manicure”, pensou. Mas daí as falanges dos dedos se rebelaram e desdenharam das mãos. Lembrou da sonhada aliança. “Puta pode se casar?” Não pode. Era um sinal.

Luta diária viver sem eles. Acostumou-se. Como a tudo na vida. Quem tinha um corpo que não pertencia nem a si não podia ficar com “essas frescuras”. Na agência ela era a submissa exótica. “Enfim um diferencial.”

O pé direito foi outro baque. “Porra! Por que não o esquerdo?” Clientes já rareavam. Sorte dela é que sexo bizarro é caro. E, considerando que agora ela tinha 37,3% do corpo e uma nádega, um peito e um nariz a menos, pagavam caro mesmo.

Menos o último, que queria despedaçá-la ainda mais.

“Dá tesão”, disse enquanto fatiava a alma dela no chão.


29.9.11

 

Minicontos fraseados V
(Retrospectiva dos 5 Anos)


Por termos tremor e nos termos inferiores a tudo.

Ainda que os saibamos tortos, os temos por direito, dado pelo voto sem veto de um povo cordial e quieto, brisado na eterna bruma do país do futuro do pretérito.

Bateu na sombra da trave.

Perde-se de si, mesmo sem nunca ter se encontrado.

Resto do resto do que sobrou de vocês (que já não são grande coisa), caminhamos tortos e com cobertores rotos, sempre sem rostos e rotas e arrotando no destino.

Esses dedos me carinhando, com movimentos algebricamente estudados, parecem bem mais do que cinco nos seus quíntuplos desejos escondidos.

Circuncidado de si

Germinando o presente cujo germe roubará teu futuro?

Tenho em mim meu antieu.

Na luta contra mim, me venci me derrotando.

Esperar por alguém que sempre foi um eterno atraso de vida?

Rugas que retardam lágrimas já demoradas.

Descobertos do breu que houvéramos sido, perderíamos a razão e daríamos à luz a sonhos prenhes da energia do que geramos de melhor.


22.9.11

 

Minicontos intitulados II
(Retrospectiva dos 5 anos)


AplauS.O.S.

A incrível arte que eu não tenho de cantar junto uma canção que está tocando no rádio

Debatendo a cara pra bater

Amuleto de mim

Como é que chama isso aí sem nome?

O prelúdio do dilúvio

Escola de Samba Unidos da Desunião

Aeroporcos

A etérea esterilidade do meu desejo eterno e efêmero

Sua saudade não vale um cartão da Telemar

1° Encontro Internacional de Desencontros

Sem miniconto(s)

Zuz

Malabares no ar

Bora pra Borá

Tato tem memória

À Judas

Os suicidas hereditários

O mundinho pequeníssimo do sr. Ínfimo

En(trave)

A liberdade que eu tenho pra sonhar

Morte deliveri

Durante o meio segundo que você leva pra desviar o olhar

A edícula do inferno

A construção da destruição

Noite quente pra sonhos fumegantes

Só ao redor de si

A falsa tranquilidade da chama da vela enquanto o Vento não vem

Defesa imundológica

So(i)sLaio

O abraço do taxidermista

Hidrografia do corpo

Leviatã pra viagem

Ré-nuncia

Refundação do abismo

O alvo é a paz

Vazamento de vida

Procura(dor)ia


14.9.11

 

Minicontos fraseados IV
(Retrospectiva dos 5 Anos)


Tudo o que passa diante dos meus olhos me cega.

Petrificar mais a pedra que esse coração virar.

Fazer das tripas coração para que o coração seja cada vez mais tripa e menos coração.

Transformar os mais sangrentos boletins de ocorrência em canções de ninar.

O que, sentido, grava-se na pele e pode ser lido em braile.

Media sempre as palavras, mas mesmo as pequenas não cabiam em si.

HORIZONTAIS: 1. Briga; 2. Ambulância; 3. Hospital; 4. UTI; 5. Imprensa; 6. Assassinato; 7. Delegacia; 8. Presídio; 9. Suicídio; 10. VOCÊ.

Pílulas do dia seguinte tomadas quase todos os dias.

Abortos a céu aberto.

Noites sumidas com gente desencontrada.

E o grande ápice: conseguir transformar uma droga de vida numa vida que é só droga.

A cartela vazia de calmante dormindo feliz no chão por não ter precisado esperar dar meia-noite.

Antes não cabíamos em si de tanto descabimento.

Minha consciência não está à venda. E nem a venda está em mim.

Cada um tem o para-raios que merece.


6.9.11

 

MINICONTO
CINCO ANOS


Órfão

Como cheguei até aqui

AplauS.O.S.

A incrível arte que eu não tenho de cantar junto uma canção que está tocando no rádio

Cada um tem seu par

A venda

Derrota

Debatendo a cara pra bater

Amuleto de mim

A neurolingüística da casa de papelão

Ex-tamira

Rio

Brasília

Feriados

O silêncio é a gente mesmo demais

Cemitério

Networking

Como é que chama isso aí sem nome?

Receita para um natal feliz

Ano novo, vida velha

Sérgio Sampaio

Sérgio Sampaio II

O prelúdio do dilúvio

Carência

Eu mereço coisa melhor

Três Carnavais

I - Escola de Samba Unidos da Desunião

II – Bandeira branca

III – É carnaval em Salvador

O dia em que o Sol sair de novo

Soberba

Você acha que consegue me cansar?

Aeroporcos

─ Que qui cê tem de goró aí? Porque eu não preciso beber pra ficar alegre

“Desvio para o vermelho”

“A minha casa é uma caixa de papelão ao relento”

Roteiro turístico

Bem imóvel

Fudeu!

A etérea esterilidade do meu desejo eterno e efêmero

Carrinho de batida

Casamento II

Casamento I

Casamento 0

Rádio-relógio

Depressão geográfica

PARE DE SOFRER!

Presença de espírito

A queda

Japonês-Hilux

Aeroporcos II

Ônibus

Serpentinas em luto

Equação

A volta da Manu

A volta (ou A vida não é Algodoal)

Sua saudade não vale um cartão da Telemar

O copo

"Vim buscar tudo o que é meu"

O manto úmido da saudade

Recado

Cartão de crédito

“Cai no areal e na hora adversa”

“Doce de sal”

Amostra da mostra

Janela

Finados

Banheiros do Ó

Olhos de ver

Futuro

Cela de menor

Destaque do mês

Batida

A gente não tem natal

Nós somos os seus piores pesadelos

Vamos matar logo esta saudade

Marca

Azulejos

PF & Cia.

Comida

Oração

Normalmente

Horizonte

Horário de verão

O segredo

O segredo II

São São Paulos

Achei que você teve certeza de que tivesse me visto

Contramão

Dengue

1° Encontro Internacional de Desencontros

Casais

Horóscopo

MATA!

Teledoença

Onde se lê

TÁ ASSUSTADO?

Sem miniconto(s)

Não converso com estranhos

Vasos comunicantes

O ganhador

Nascimento

Zuz

Academia da Berlinda*

Sim para não

Operação Solta e Agarra

Batmãe

Essa onda diet que emagrece a vida

Malabares no ar

Olimpíadas do fracasso

Supersuperficial

Encontro

Minicontos fraseados

Guarde você pra mim

Bora pra Borá

Tato tem memória

Ingressos e críticas

O dia em que São Paulo parou

Postinor

Telemarketing

Empregadice

Minicontos fraseados II

Deu tudo certo até começar a dar errado

A gente não se bate muito

A Bienal hoje é um tobogã de emoções

Caixinha de natal

Quando a cama quebrou

Presente de natal

Xadrez de olhar

O que você vai fazer da sua vida agora?

Miséria

À Judas

Melhora

O pedido

O pedido II

11 Pontos de alagamento

O X da xenofobia

O complexo caminho das lágrimas

Ex-comunhão

Os suicidas hereditários

O mundinho pequeníssimo do sr. Ínfimo

Aumento

Inverdade

LAVAMOS

Quer sair?

Há coitados açoitados no trem

Pandemia

Elevador

Nossa igreja está crescendo

Retiro espiritual

Açougueiro de luxo

A testemunha

O cheiro do seu cabelo

De onde a gente parou

En(trave)

Atos secretos

A liberdade que eu tenho pra sonhar

Essential things of Brazil

Vagantes

O povinho do pacote

Lembranças escurecidas pelo tempo

Palavras cruzadas (correção)

O medidor de palavras

Desfile

Minicontos fraseados III

Malabares no ar II

Malabares no ar III

Morte deliveri

Minicontos intitulados

Na falta de um bom título

Durante o meio segundo que você leva pra desviar o olhar

Hérnia de disco

A edícula do inferno

"Abacaxizinho de Natal"

Vaca homeopática

11 Pontos de alagamento II

Essa doença

Essa doença II

20 anos depois

A construção da destruição

"Mendigos serão sempre necessários"*

São Paulo Féchiom Uíqui

Absurdamente feliz!!!!!!

Prometeu acorrentado

Noite quente pra sonhos fumegantes

Figurantes principais

(Só)lilóquio

A vida nova que você me deu

“A tua santa tá querendo te enlouquecer"

FILOSOFIA DA EMPRESA

Queria o quê?

O desfragmentador

Ressonâncias magnéticas e eletrônicas

Não há mais paisagens no fundo do mar

Não é por aí

Só ao redor de si

“Vanessa, tire o véu da inocência”*

Supra-sumo

A falsa tranquilidade da chama da vela enquanto o Vento não vem

Defesa imundológica

So(i)sLaio

A cor do derramamento

Val-de-Cans

Vim buscar tudo o que é meu II

Fio narrativo

O abraço do taxidermista

Hidrografia do corpo

Tópy Méloddy

Bíblia

O colecionador

Banquete na Nova Higienópolis

ESTREIA OFICIAL DO MINICONTO - LADO B

Megaplégica

Cela de menor II

Agora eu me sinto assim

Vendem-se (no estado em que se encontram*)

Prometo ser fiel

Finados

A sombra da minha sombra

Leviatã pra viagem

“Dos seios de ‘Juliana’ ainda jorram leite”*

Parada de Lucas

MakLeys Cabeleireiros

11 Pontos de alagamento III

Luzinhas

Lugares

O poeta n.° 2

Lixo extra e ordinário

Ingrato grão

Ré-nuncia

VirtuAll

Refundação do abismo

Movimentos Mínimos para Deslocamentos Curtos (MMDC)

Busca e apreensão

Patologia do trato genital

Japão em 5 Tempos

I – Terremoto

II – Tsunami

III - Radiação

IV - Comboio decasségui

V – Os que sobramos

Pessoa do povo

O alvo é a paz

Família feliz (vende-se)

Brincando de devassa

Brincando de Bukowski

Natal polar

Bulingui

Dia dos Namorados

Ponha um pouco mais de de-li-ca-de-za

Vazamento de vida

Verniz saje

VAI!

Construdestruição

Construdestruição II

Captação híbrida

Isso

Programa de índio (ou Quase um Minifato)

Procura(dor)ia

UFC no metrô

Vida encapsulada

Morte Futebol Clube


 

Morte Futebol Clube


Nosso time treme.

Diante dos adversários, da bola, de si mesmo e, muito mais, diante de nós.

Nossa torcida-gangue-sangue organizada não só torce, mas contorce e retorce a ética do eX-porte, o porte de armas e o pescoço dos adversários e até dos jogadores do nosso time, se eles não honrarem a camisa.

Por honrar a camisa entendemos ir aos jogos a qualquer custo, não importando o custo de vida ou das vidas dos rivais, que pra nós não valem nada.

Rivais que, se vacilarem, vão parar dentro do rio ou abaixo do gramado (se a grama tá ruim é por causa desses espíritos de porco enterrados lá).

E que eles não venham nos assombrar com seus gritos de guerra, falta de escrúpulos, malas pretas, olhos roxos, penalidades máximas e Q.I.s mínimos.

Temos gana de vencer, sanha de perder e sede de poder: poder tudo contra todos. E todos contra um.

Nesse jogo, quem joga o trigo no joio não julga que joga a favor do próprio jugo.


5.9.11

 

Minifato XXXI
(a realidade goleando a ficção)


Severina Maria da Silva, 44, lavradora, confessou ter mandado matar o pai e foi absolvida por unanimidade pelo júri popular.
Ela engravidou 12 vezes do pai, que a violentava desde os nove anos.
O crime aconteceu em 2005, na cidade de Caruaru (PE), quando Severina descobriu que ele pretendia violentar uma das filhas dos dois, então com oito anos.
Disse ao júri que não suportaria ver a filha passar pelo mesmo drama que viveu.


29.8.11

 

Vida encapsulada


─ Cento e vinte?!
─ É.
─ Não é muita coisa pra engolir?
─ Tô pagando; faça se quiser.
─ Só mil e quinhentos dólares?
─ Se não tá a fim, não embaça; tem um monte de gente que topa.
─ E se uma delas estourar?
─ É a minha paciência que tá estourando.
─ Mas daí eu vou morrer!
─ É um risco que se corre.
─ Posso checar uma por uma?
─ Não, já conferi. E não é nem pela sua vida. É pela grana que vou perder se você morrer.


17.8.11

 

UFC no metrô


Nos horários de pico, o metrô de São Paulo galgou um nível tão elevado no transporte de “pessoas” que é difícil de classificá-lo.

Os sadomasoquistas o chamariam, entre uivos de gozo, de paraíso (muitos já estão na estação Paraíso mesmo).

Os antropólogos, de ritual de acasalamento da massa.

Os juristas usariam massa falida, apontando que os réus mal têm espaço de dar ré com o corpo.

Os economistas diriam que a inflação de pessoas gerou um déficit de trens e que o déficit de trens venho da inflação de pessoas.

Os políticos o classificariam de ótimo e que outras “ótimas” estações estão a caminho; a caminho de suas promessas serem esquecidas pela população.

As crianças o chamariam de brincadeira (de muito mau gosto).

Os mágicos, sem sombra de dúvida (nem pras sombras há espaço), que ele é o fim de carreira (sair do fundo do mar acorrentado é fácil; já sair do metrô...).

Mas o melhor termo seria o dos lutadores, que, como o povo, ganham a vida batalhando: Ultimate Fighting Championship.


12.8.11

 

Procura(dor)ia



Andando-procurando pelas ruas-vi-elas da Liberdade quase Sé-quase centro-quase livre-camiquase, não tem ali-aqui-lá muito menos, andando, por que é tão difícil? na rua dos Estudantes estuda o plano B, A foi reprovado faz tempo, pensa num C-D-E... pára no X, e depois do Z, qual a saída? por que entrou nesta? pra que andar tanto, tonto, tantas, tantã, tantra passeando em sua mente-sã-corpo-sal de chagas chatas – CHEGA! – sem nada conseguir? mas continua, é importante pró-seguir, precisa, deve, teme-treme, e sebo-ebô nas canelas que chá de canela-homeopatia-nem-homem-pra-tia resolve ficar pra tio, reandando passa pela Procuradoria, bens do patrimônio, mas o que tinha? era seu? era bem? bom? crescei e multiplicai-dividir com quem a soma desse fardo que o subtrai pequeno ante o altar da catedral-mor ajo-elhado-errado já na Sé?
sem sentido, sentimento, centímetro de culpa por coisa tão transviada de vida ida sem revolta?
NÃO!
pára,
louco pra desencontrar o que se encontrava em si.


 

Minifato XXX
(a realidade goleando a ficção)


Estudante de 11 anos foi agredido por 14 colegas em Juazeiro (BA).
Nome do colégio: Polivalente.
‘PoliVALENTE’.

A pedido da namorada, homem foi tentar pegar uma orquídea rara em um penhasco no Vale da Pirambeira, no Paraná, escorregou de uma ribanceira e morreu.

Mãe de uma das “meninas do arrastão” da Vila Mariana, na cidade de São Paulo, diz pra filha que ela “é uma besta” por voltar ao local do crime; não se sabe se a mãe voltou a cuidar do seu crime, ou melhor, da menina.

Oito dias após se casar no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), Rosycler Neves, 61, morreu.
Mesmo com a doença degenerativa neurológica dela, que a impedia de andar e falar, Luis Nogueira, 42, fez questão de cumprir a promessa e se casar com ela. Nogueira diz que quando era jovem a tinha pedido em casamento, mas ela se recusou por ele ser “moleque”.


6.8.11

 

Programa de índio
(ou Quase um Minifato)


Irmãos – o Xingu dos Villas-Bôas.
Um baita exemplo de exposição.
E de vida.
Incrível como eles dedicaram e arriscaram a própria vida em defesa dos índios.
Vários murais, painéis, filmes, objetos pessoais e históricos e uma ampla amostra de utensílios indígenas.
Vale muito a pena o passeio.
Tudo certo, se não fosse o final.
Se não fossem elas...
As facas.
Muitas.
Dezenas.
Grandes.
Suficientes pra...
Presas por raquíticos barbantes.
Estranha-as.
Olha-as com atenção.
Com interesse.
Com desejo.
Com medo.
Consternado.
Diversas facas.
Pra que tantas?
Quem exagerou assim?
Perigo isso.
Vira-se pra ver se há alguém por perto.
NÃO!
Perigoso deixá-las aqui.
Assim.
À mão.
Todos os monitores longe.
Se fosse o chefe, mandava alguém ficar ali o tempo todo.
Mas não é o chefe.
Nem ninguém.
As facas reafirmam isso.
Na saída, pergunta se eles não têm medo que alguém se machuque com as facas.
Na verdade, queria mesmo é saber se não temem que alguém se machuque pro-fun-da-men-te com elas.


3.8.11

 

Minifato XXIX
(a realidade goleando a ficção)

A Missão
(ou Quase um Miniconto)


"Qual é a sua missão?"
"Revelar e cobrar a verdade", respondeu Estamira, catadora de lixo.
E ao questionar o diretor se ele sabia qual era a dele, antes de ouvir a resposta, ela disse: "A sua missão é revelar a minha missão".
Ao ouvir isso, Marcos Prado decidiu rodar o filme (www.estamira.com.br).
Estamira Gomes de Sousa, falecida no dia 28.07.2011, também foi retratada no miniconto “Ex-tamira”: http://miniconto.blogspot.com/2006_10_01_archive.html


29.7.11

 

Isso


Câncer
“Escolha com quem vai passar o dia; isso* também influi.”



* Grifo nosso.


 

Captação híbrida


Capetalização.
Não, não fui eu que escolhi o nome da operação. Se não escolhi nem a minha vida, ia escolher um nome desses?
Por mim, também não haveria a tal de geolocalização. Meu grupo aqui, correndo da corja do Correria e da corregedoria, e eles atrás, cangoteando seus hálitos de enxofre em nossas nucas-quase-narinas cansadas do cheiro-bueiro dessa merda.
PORRA!
Por que nós?
Porque quebramos as regras? Demos meia duziazinha de tiros a mais? Matamos uns a mais? E daí? Quem nunca errou um tirinho? Tantas baladas perdidas e acharam só as nossas?
Não. Eles nunca erraram. São perfeitos no que fazem. E, pior, mais perfeitos ainda no que desfazem. E nasceram pra desfazer qualquer molécula de vida que estiver no caminho contrário deles.
Já sabíamos disso. Na mente. E, agora, no corpo.
Depois de pessoas, multidões, carros, ruas, pistas, pontes, atropelos, atropelamentos, nortes, sortes, mortes, eles conseguiram.
Mas, pensando bem, não somos presas fáceis.
Melhor eles não terem pressa.


25.7.11

 

Minifato XXVIII
(a realidade goleando a ficção)


“Com certeza isso estava nos planos de Deus.”
Engenheiro Marcelo Malvio Alvez de Lima, 36, que foi acusado de dirigir um Porsche a 150km/h e provocar o acidente que matou uma advogada de 28 anos, na cidade de São Paulo.


23.7.11

 

Construdestruição II


─ Mas como dormir pensando nessa retroescavadeira gigante aí do lado, escavando até as nossas almas?


21.7.11

 

Minifato XXVII
(a realidade goleando a ficção)


“Então, eu não posso mais abraçar meu filho em público?”
J.C.G., 42, que apanhou de seis rapazes que achavam que ele era homossexual e ainda cortaram sua orelha em São João da Boa Vista (SP).


19.7.11

 

Construdestruição


─ Que foi isso?
─ Outra pedrada?
─ É. Quebraram a janela desta vez.
─ Se pudessem, quebrariam nós dois.
─ Eles podem.
─ Sim... mas não seriam capazes.
─ Valemos bem menos que os milhões que eles vão ganhar.
─ Matariam seres humanos que não fizeram nada pra eles?
─ Isso pra eles não quer dizer nada...
─ E o que respondemos então?
─ O prazo era até hoje?
─ É.
─ E se não respondermos?
─ Seremos os únicos. Até o Wilson, que disse que não venderia a dele nem morto, deu pra trás e fugiu daqui.
─ O Wilson era um bosta.
─ Um bosta que vai continuar vivo.
─ Vivo e fedendo.
─ Mas salvo. Só nossa casa tá de pé nessa quadra entulhada de ruínas.
─ Que adianta sair e matar as nossas lembranças e o que fomos e somos aqui?
─ De que adianta continuar aqui e nos matarem?
─ E como sobreviver com a mixaria que deram pela casa?
─ Eles não deram. Tão nos forçando a vender por isso.
─ E vão embolsar milhões no prédio.
─ E isso agora?
─ Mais uma pedrada?
─ Sim, mas desta vez acho que é a pedra fundamental.


 
Minifato XXVI
(a realidade goleando a ficção)




“Obrigado, boa noite e bom apetite.”
Ladrão antes de sair de um restaurante de São Paulo onde roubou R$ 8.000 dos clientes.

12.7.11

 

VAI!


─ Tá esperando o quê?
─ Não sei.
─ Então começa.
─ O quê?
─ Cê sabe.
─ Sei do quê?
─ Estamos aqui pra isso.
─ Agora-já-assim?
─ Queria quando?
─ Preciso pensar um pouco...
─ Pensar era a etapa 1. Estamos na 4; a penúltima.
─ A última é qual?
─ Essa que você vai começar. AGORA!
─ Não sei se devia.
─ Eu sei. VAI!
─ Você não acha que podemos nos arrepender?
─ Achar era a etapa 2. A de encontrar a pessoa.
─ E agora?
─ E agora achamos alguém legal e você fica assim?
─ Queria que ficasse como?
─ De qualquer jeito. Menos feito estátua.
─ Isso é muito radical pra mim.
─ Se não fosse, não teria graça.
─ É. Não tô achando graça.
─ Até porque me saiu caro.
─ Mas foi ideia sua.
─ Foi ideia NOSSA!
─ Você queria mais do que eu...
─ Ó... Não quero me intrometer na relação de vocês, mas eu
─ Pode se intrometer. Pagamos pra isso.
─ Não precisa falar. Eu vou.
─ Vai?
─ SIM!
─ Que bom!
(...)
─ Hum...
(...)
─ Nossa!
(...)
─ UAU!
(...)
─ Tá. Legal. Agora vem.
(...)
─ Vem pra cá.
(...)
─ Chega. Vem pra mim agora!
(...)
─ Tô mandando você VIR porra!


 
O miniconto abaixo foi escrito especialmente para o site

Arte Latino Americana.

Confiram esse interessante e diversificado site
sobre arte e cultura do nosso continente.

2.7.11

 
Verniz saje


Falam que é arte.
Juntam um monte de quadro com uns rabisco estranho e falam que é arte.
Fazem evento.
Um tal de verniz... verniz sa... verniz saje.
Se me convidasse prum troço desse...
Vixe!
Ia ficar puta.
Já pensou?
Perder a novela por isso?
Eu já.
Tô lavando o banheiro desse povo.
Que é tão emperiquitado prumas coisa.
Mas entra no tualeti e só faz...
Melhor num falar.
E as comida?
Festa sem coxinha-empadinha-carne louca?
Tá doido?
Umas bolinha preta que eles chamam de kaveá?
E pingam só um tiquinho na maior muquiranagem no pão?
Quéisso?
E esses quadro branco pintado de branco?
Arte abstrata.
Dizem.
Pra mim é abestada!
O cara fica meia hora em pé olhando e aí fala que viu o que não viu e que o quadro tem o que não tem.
E faz sucesso.
E ganha mil vezes mais que eu.
E que o Jozemilson que fica escondido naquela barraquinha do Embu.
Ele pinta umas plantinha tão bonitinha-só-vendo.
As samambaia fica igualzinha!
E mal ganha pro PF.
Vai ver que é por isso que ele obra menos, bem menos que esses fresco daqui.

23.6.11

 

Vazamento de vida

No aniversário
um cano escorre o tempo
desazulejado.


22.6.11

 

Ponha um pouco mais de de-li-ca-de-za


PAH!

Caio colando o rosto e o desgosto no chão, mas até que o concreto tá menos frio do que o olhar que você dirigiu (metralhou) pra (em) mim.

AIHIINN!

Seu chute acerta meu fígado, mas nunca gostei de fígado mesmo e esse sapato que eu lhe dei (bem que o vendedor falou) dói menos do que suas coturnadas.

TIGURF!

Seu cuspe escorre no meu rosto-roxo-pós-soco, entra na minha boca e mata a saudade que eu tava da sua saliva, dos tempos que a sorvia gota a gota, bem diferente dessa aí que você cachoeira espumando de raiva.

TRIMMM!

Antes de cair a aliança faz uma parábola no ar, uma parada na minha mente, uma parábola bíblica na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na... mas qual, QUAL? riqueza se você roubou até eu mesma de mim?

RECTRUTÁC!

Você abre o tambor, põe a bala, me aponta o revólver e nervosa o dedo no gatilho.

(?)

Se novamente errar, só peço que amanhã, antes de reiniciar a rotina, ponha um pouco, só um pouquinho mais de de-li-ca-de-za.


13.6.11

 

Dia dos Namorados


Ela na edícula jogando suas tranças de mega-hair pago à prestação pra ele subir.

Ele jogando tranca pra subir na vida.

Um típico amor em ascensão.


8.6.11

 

Bulingui


O Tetinha era foda.
A gente no recreio fumando escondido do bedel e o Tetinha lá, estudando na sala.
O povo no futebol e o Tetinha lá, fazendo drinks de CDF com a buceta do bico de Bunsen.
Todos pegando as menininhas nos bailes e o Tetinha lá, não sendo convidado e virando o alvo das piadas.
Aquilo era um absurdo e não podia continuar sem alguém dar um jeito no TE-TI-NHA!
E esse alguém éramos nós.
Porra, se não era.
Esperamos ele, quer dizer, a coisa amorfa, no seu hábitat natural: a cantina.
Após suas três-coxinhas-duas-esfirras diárias, o troço foi ao banheiro cagar as três-coxinhas-duas-esfirras-quatro-bananas-comidas-em-casa diárias.
E aí jogamos nele TODOS os cestos de papel nada higiênico que tavam ali e os que trouxemos de casa.
Afogamos o idiota naquela neve imunda empilhada até o teto.
E o pior, o pior mesmo, que lembramos até hoje, não foi isso.
Minutos depois ele saiu todo nevado de merda, viu os que tavam ali esperando a bosta que ia falar e...
Não disse nada.
O Tetinha era foda.


1.6.11

 

Natal polar


Fingindo ser urso polar, um peru hiberna há meses no congelador, esperando um motivo para sair.


 

Minifato XXV
(a realidade goleando a ficção)


Com 105 anos, o mineiro Antônio Ferreira está à procura de uma namorada.
Os pré-requisitos básicos são “não beber, não fumar e nem ser viciada em jogo”.
Outra coisa: tem limite de idade. Mais ou menos 50 anos.
“Uns 50 anos está bom”, diz seu Antônio.



28.5.11

 

Brincando de Bukowski


Tudo isso que hoje ninguém entende.

Tudo que escrevi, tô escrevendo e escreverei e que esses primatas do mundo contemporâneo demorarão milênios pra entender, se é que um dia conseguirão ler.

Todos os calhamaços espalhados pelo chão desse porão infecto onde moro e que alguns otimistas até chamariam de lar, mesmo entulhado de garrafas de bebida, baratas e restos de orgias e drogas e que um dia vocês, que recusam minhas cartas diárias implorando pra publicarem meus trabalhos, reconhecerão como históricos.

Todas as noites em que passo nos bares, inspirado por uísques e vodcas e cervejas sem marca e mulheres marcadas e papos marcantes e seja lá o que esses botecos do subúrbio possam ter em suas instalações miseravelmente podres e tão bem adaptadas a nós, os miseráveis.

Isso é o cerne da minha literatura autodestruidora dos padrões, dos amigos, dos parentes, de mim e de qualquer vestígio do que possa ser chamado de relacionamento humano.

Tudo isso vai sobrar um dia.

Menos eu.


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