6.9.21

 

E o sorriso suave que esse cuidar lhe traz


 
Ouço. 
Cada passo me desperta mais.
Cedo pra nossa nova sessão.
Tempo aqui nem dá pra saber.
Sem querer lembrar, meu corpo todo é só lembranças. 
Fala por si.
Grita tudo o que eu não posso falar.
Você chega.
Já?
Meus calafrios dizem: sim.
No prato a “comida” de sempre.
Nem lembro mais se um dia teve tempero.
Se foi quente.
Não importa.
De tanto contato com você, meus dedos perderam o tato.
Olha pra mim comendo como quem alimenta um tsunami.
E escolhe a melhor cadeira de praia pra ver a desgraça acontecer.
O bolor da comida me enjoa.
Larvas escorrem pelos dedos.
Sei que pôs cada uma com todo o “carinho”.
O mesmo carinho com que corta minhas unhas.
Mais.
E mais.
E mais.
A depressão tá tão encravada em mim que nem sinto dor.
Só queria uma palavra sua sobre o porquê de tudo isso.
UMA que fosse.
Seu silêncio dói bem mais em mim.
Não tenho forças pra nada.
Antes de desmaiar de novo, vejo a felicidade no seu rosto.
Por cuidar de mim assim.
E o sorriso suave que esse cuidar lhe traz.

 

MINICONTO

QUINZE ANOS

 

 

Órfão

Como cheguei até aqui

AplauS.O.S.

A incrível arte que eu não tenho de cantar junto uma canção que está tocando no rádio

Cada um tem seu par

A venda

Derrota

Debatendo a cara pra bater

Amuleto de mim

A neolinguística da casa de papelão

Ex-tamira

Rio

Brasília

Feriados

O silêncio é a gente mesmo demais

Cemitério

Networking

Como é que chama isso aí sem nome?

Receita para um natal feliz

Ano novo, vida velha

Sérgio Sampaio

Sérgio Sampaio II

O prelúdio do dilúvio

Carência

Eu mereço coisa melhor

Três Carnavais

I - Escola de Samba Unidos da Desunião

II – Bandeira branca

III – É carnaval em Salvador

O dia em que o Sol sair de novo

Soberba

Você acha que consegue me cansar?

Aeroporcos

─ Que qui cê tem de goró aí? Porque eu não preciso beber pra ficar alegre

“Desvio para o vermelho”

“A minha casa é uma caixa de papelão ao relento”

Roteiro turístico

Bem imóvel

Fudeu!

A etérea esterilidade do meu desejo eterno e efêmero

Carrinho de batida

Casamento II

Casamento I

Casamento 0

Rádio-relógio

Depressão geográfica

PARE DE SOFRER!

Presença de espírito

A queda

Japonês-Hilux

Aeroporcos II

Ônibus

Serpentinas em luto

Equação

A volta da Manu

A volta (ou A vida não é Algodoal)

Sua saudade não vale um cartão da Telemar

O copo

"Vim buscar tudo o que é meu"

O manto úmido da saudade

Recado

Cartão de crédito

“Cai no areal e na hora adversa”

“Doce de sal”

Amostra da mostra

Janela

Finados

Banheiros do Ó

Olhos de ver

Futuro

Cela de menor

Destaque do mês

Batida

A gente não tem natal

Nós somos os seus piores pesadelos

Vamos matar logo esta saudade

Marca

Azulejos

PF & Cia.

Comida

Oração

Normalmente

Horizonte

Horário de verão

O segredo

O segredo II

São São Paulos

Achei que você teve certeza de que tivesse me visto

Contramão

Dengue

1° Encontro Internacional de Desencontros

Casais

Horóscopo

MATA!

Teledoença

Onde se lê

TÁ ASSUSTADO?

Sem miniconto(s)

Não converso com estranhos

Vasos comunicantes

O ganhador

Nascimento

Zuz

Academia da Berlinda*

Sim para não

Operação Solta e Agarra

Batmãe

Essa onda diet que emagrece a vida

Malabares no ar

Olimpíadas do fracasso

Supersuperficial

Encontro

Minicontos fraseados

Guarde você pra mim

Bora pra Borá

Tato tem memória

Ingressos e críticas

O dia em que São Paulo parou

Postinor

Telemarketing

Empregadice

Minicontos fraseados II

Deu tudo certo até começar a dar errado

A gente não se bate muito

A Bienal hoje é um tobogã de emoções

Caixinha de natal

Quando a cama quebrou

Presente de natal

Xadrez de olhar

O que você vai fazer da sua vida agora?

Miséria

À Judas

Melhora

O pedido

O pedido II

11 Pontos de alagamento

O X da xenofobia

O complexo caminho das lágrimas

Ex-comunhão

Os suicidas hereditários

O mundinho pequeníssimo do sr. Ínfimo

Aumento

Inverdade

LAVAMOS

Quer sair?

Há coitados açoitados no trem

Pandemia

Elevador

Nossa igreja está crescendo

Retiro espiritual

Açougueiro de luxo

A testemunha

O cheiro do seu cabelo

De onde a gente parou

En(trave)

Atos secretos

A liberdade que eu tenho pra sonhar

Essential things of Brazil

Vagantes

O povinho do pacote

Lembranças escurecidas pelo tempo

Palavras cruzadas (correção)

O medidor de palavras

Desfile

Minicontos fraseados III

Malabares no ar II

Malabares no ar III

Morte deliveri

Minicontos intitulados

Na falta de um bom título

Durante o meio segundo que você leva pra desviar o olhar

Hérnia de disco

A edícula do inferno

"Abacaxizinho de Natal"

Vaca homeopática

11 Pontos de alagamento II

Essa doença

Essa doença II

20 anos depois

A construção da destruição

"Mendigos serão sempre necessários"*

São Paulo Féchiom Uíqui

Absurdamente feliz!!!!!!

Prometeu acorrentado

Noite quente pra sonhos fumegantes

Figurantes principais

(Só)lilóquio

A vida nova que você me deu

“A tua santa tá querendo te enlouquecer"

FILOSOFIA DA EMPRESA

Queria o quê?

O desfragmentador

Ressonâncias magnéticas e eletrônicas

Não há mais paisagens no fundo do mar

Não é por aí

Só ao redor de si

“Vanessa, tire o véu da inocência”*

Supra-sumo

A falsa tranquilidade da chama da vela enquanto o Vento não vem

Defesa imundológica

So(i)sLaio

A cor do derramamento

Val-de-Cans

Vim buscar tudo o que é meu II

Fio narrativo

O abraço do taxidermista

Hidrografia do corpo

Tópy Méloddy

Bíblia

O colecionador

Banquete na Nova Higienópolis

ESTREIA OFICIAL DO MINICONTO - LADO B

Megaplégica

Cela de menor II

Agora eu me sinto assim

Vendem-se (no estado em que se encontram*)

Prometo ser fiel

Finados

A sombra da minha sombra

Leviatã pra viagem

“Dos seios de ‘Juliana’ ainda jorram leite”*

Parada de Lucas

MakLeys Cabeleireiros

11 Pontos de alagamento III

Luzinhas

Lugares

O poeta n.° 2

Lixo extra e ordinário

Ingrato grão

Ré-nuncia

VirtuAll

Refundação do abismo

Movimentos Mínimos para Deslocamentos Curtos (MMDC)

Busca e apreensão

Patologia do trato genital

Japão em 5 Tempos

I – Terremoto

II – Tsunami

III - Radiação

IV - Comboio decasségui

V – Os que sobramos

Pessoa do povo

O alvo é a paz

Família feliz (vende-se)

Brincando de devassa

Brincando de Bukowski

Natal polar

Bulingui

Dia dos Namorados

Ponha um pouco mais de de-li-ca-de-za

Vazamento de vida

Verniz saje

VAI!

Construdestruição

Construdestruição II

Captação híbrida

Isso

Programa de índio (ou Quase um Minifato)

Procura(dor)ia

UFC no metrô

Vida encapsulada

Morte Futebol Clube

Minicontos fraseados IV

Minicontos intitulados II

Minicontos fraseados V

Exercício diário de desapego

Minicontos fraseados VI

Lixo hospitalar

Texto proibido para quem ainda tem esperança

Órfão II

Cracrolândia espalhada

Titanic mon amour

Buquê SP

Palace 3

Cerveja-almoço

Copromancia

Buquê SP II

Vá-te!

A menor roda gigante do mundo*

Quando a lágrima é maior do que a capacidade

Aí Cai

Paleontólogo amador

Tudo certo

Anonimato dos afetos escondidos

Razão-Ração

Greve no metrô

Ponto cego

Libertadores (Uma final à la timão)

Transformação

Autobiofagia

Ufa(!)nismo

NÃO10000000000000000000000000000000000000000000000000000000001

UHUlysses

Moeda de troca

Ré-curso

E-books, e-readers e e-erros

Ali os alicerces de Alice

Maison Favelas de Fogo

Drible do vácuo

dEXtino

Realize (Móveis Planejados)

Brinquedinho de armar-amar-matar

Finados

VEJA o homem da cabra

Cidade Execução

Reacionariozinho Bonsai

Conflito de gerações

Passar o Passat

(Em)possai!

Fim do mUNDO

Alternativas para escrever um conto de Natal

Ponte de safena

Sem tópico

Horroróscopo

Cricrítica

A fundação da cidade

UFC Romênia

Aluada I

Aluada II

Tá Tu

Passageiro

Desperta!

Ré-cear

Que bom quando você deixa uma boa impressão

Hai quase

Entrevistas de desdesemprego

Aliteração gastronômica

Parto partido

G(PS)

Noticiário

Heróis com heroína

Temporal

Seguro Total Ltda.

A mão do Papa à mão de Dilma

Fragrante

Capitu lar

Microrresumo de um provável miniconto

Casal moderno

Dialética da xenofobia crônica

Votos secretos

Sinsinata

Late, fundiário

Fran dá entrevista

Homem-seta

Teleguiado

A fundação de si

Nota de Repúdio

Facevida

Reinaldo Milhão - Leiloeiro oficial

Eu te amo

Idade das Trevas

O olho ruim da Ritinha

Os postes

Selfie sofre

Seleção natural

Projétil de vida

Eu era o Pateta

Acerto errado

Autógrafo sem data

Com este botão acaba tudo

Linha imaginária VIP

Poses e posses

UTI

Chocolate amargo

Davids da vida

Fiz uma sopinha pra ele comer

Tudo daqui

Rosa dos ventos

Testamento

Reclama o autor

Transformação na TV

Particularidades

Cesta de Natal

Formulário de emprego

Dicionário alternativo

Baixa-ajuda

Insônia

Ninguém taí pra nada

O Amor É Uma Coisa Quentinha

Às vésperas de nascimento de bebê real, Kate Middleton vai às compras

Mirante do ódio

Filipinas importadas ganham até R$ 2.000 como babá no Brasil

Tempos inverbais

Alta estrada

Aeroporto

Dia de faxinar sonhos

Levitação

Sommelier de catástrofes

O X da Xenofobia II

Eles

Levy, o Leve

De chinelo no AMA

A cor do Gasparzinho

A seus pés

Xadrez sem automotivo

Asterisco

Varreu o chão, limpou a casa

Por qual razão uma família abandonaria uma casa com tudo dentro?

10 melhores quiosques de praia para rezar

Macromicrocefalia

Look Passeata I (Versão oposicionista; escolha a sua)

Look Passeata II (Versão governista; escolha a sua)

Projeto Você

Ode ao Homem Ostra

O Supermercado Solitário agradece a sua visita

Estamos todos com você

Pré-cisão

Só Caras

Pessoas são pequenas

João de Dar Dó no Jr.

Flor do Sumaré

Ao sol, um mendigo velho bate os pés e sorri

VOTE EM MIM!

RePitta comigo

Programa de relacionamento

Ocaso

O jornalista viajou a convite

Ali eu fui feliz

Cartão de crédito

Pequena fábula erótica moderna para gente que se acha glande

Trago de volta a pessoa armada

Carne farsa

Quem ouve rádio hoje em dia?

Corda bamba da mesmice

Falha estrutural de caráter

Falha estrutural de caráter II

Sereio

Você não está sozinho

Encontro às cegas

Desesperança

Daminha de Desonra

Quando a vida era mais Quantum e menos Quanto

Status quo

Tinha um louva-a-deus na parede ontem

Cama karma

Como sobreviver em um mundo colapsado

Contrato

Falência múltipla de órgãos

Futuro presente

A tempestade não derrubou meus fracassos no varal

Asteroide na contramão

5 menus especiais para comemorar o Dia dos Pais

O prédio ainda estava de pé

Fascistinhas

Você não tem ciúmes dela?

Queiroz, o Feroz

Vale a lama?

A priori

Repasso

80 tiros

Assembleias de Eus

Vodu

Pet shop Mundo Cão Furto do futuro 

Descaso

Sandy&Junior InCorporation

Mais-valia

Sub-reptícia

Eu catava latinha no seu bloquinho

Aluga-se

Porta-ré-tratos

Pandemia de A a Z

100.000 mortos

Acróstico pernóstico

Por que a Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?

O resto tá OK

Juntos na separação

Caterpillar na joalheria

A morte sob e sobre guarda-sóis

Corpo rativismo

Seu amor não vale um chiclete

Tentador

Rico ou Pobre na TV
O Cê Vê do ministro da Educação
Desminhar
Asfixia
Hoje eu vi alguém de máscara na própria janela
Colapso
Crê(pusculo)
Bailarinas mancas caem numa piscina de fogo
O curioso caso de Benjamin Botão
Intestinado
Talibã
Ré-ver
Insônia II
Diário
Onde nasce e mora todo o amor
E o sorriso suave que esse cuidar lhe traz



5.9.21

 

Onde nasce e mora todo o amor


Maria
av. Sapopemba
"A distância é o que nos aproxima." 

Ester
Americanópolis
Faltava um pouco de brasilidade. 

Bianca
Moema
Era duas, mas não conseguia ser uma pra mim. 

Mildred
Vila Nova Conceição
De gosto tão refinado, que era sommelier de raridades; ficamos raramente. 

Carlinha
Parintins
"Bora motora!"
A gente caiu do tricicotáxi.
Roubou o copo de uísque do cara ao lado e me deu.
Seria mais uma queda naquela noite.

Magali Barretos
A fome em pessoa. Difícil nos saciarmos. 

Ester
Paraisópolis
Ex-comissária de bordo, ex-enfermeira, estelionatária.
Um avião. Pro destino errado. 

Rosângela
Embu das Artes
Vivia fazendo arte; enrolada que só. 

Cláudia
Butantã
Falou que não tivemos química depois do beijo. Mas não perdia um storie meu depois.
Vai ver queria química só online.

Ro
Bela Vista
A gente tinha tanto a ver, que nem se viu.

I.
Paraíso do Sul
Um anjo que literalmente veio do paraíso.
Fez o impossível acontecer. E tudo era tão difícil antes.
Tocou “I’m Easy” quando a gente se beijou.


4.9.21

 

Diário


Dia a dia

o dia prometia ser Dia

um dia.


3.9.21

 
Insônia II


A insônia me cochicha:
“Se prepara que esta noite é dia”.

A TV, mesmo desligada, ironiza: “Se liga nesta programação especial pra quem não tem programa nenhum”.

O abajur, apagadão, suplica: “Dá uma luz aí”.

O colchão, de altos e baixos, desafaba: “Pare! Esta depressão tá insuportável”.

O copo d'água, meio vazio e inteiro pessimista, pinga suores que depois pingarão do corpo.

E filosofa: “Você tem muita sede pra quem se desagua no nada”.

Desligado, o lustre lança feixes de luzes que morrem de tédio, pois não há uma alma esclarecida pra debater iluminismo às 4h46. E reflete: “O lugar mais escuro do mundo é sempre embaixo de uma lâmpada”.

No armário, dormem lembranças e monstros que roncam em coro o sono dos zumbis. “Cuidado: suas altas ruminações podem nos acordar pra comermos seu cérebro de tão baixos pensamentos e gosto duvidoso.”

Olho pro criado-mudo buscando remédio pra dormir, vida pra viver, sonho pra sonhar ou a mínima ajuda. Ou pelo menos alguém pra conversar.

Ele nada fala.

2.9.21

 
Ré-ver


A gente tinha tanto a ver
que nem se viu.


31.8.21

 
Talibã


Sem alma, nossos corpos agarram-se a aviões lotados de vidas vazias. 

Quanto mais subimos, menor ficamos diante do pavor que nem pode ser visto. 

Enquanto uma mão segura na asa, a outra entrega o filho recém-nascido a quem nunca se viu. 

Milhares de vidas que se perdem só por se encontrarem no lugar errado. 

Os corpos que caem do céu viram homens-bomba que afundam no inferno quem não pôde voar. 

As ajudas humanitárias, que também fogem em debandada, sequer se lembram que ainda somos humanos (se é que um dia já fomos). 

Na cidade em ruínas, a fome habita em bocas sem palavras diante do indizível. 

Nossas crianças e mulheres se aterrorizam por saberem que nada é pior do que ser, por anos, escrava sexual do terror. 

Na religião do fuzis, quando um Deus autoriza matar, a morte nunca diz adeus.

15.7.21

 
Intestinado


Todo enfezado
no seu cérebro atrofiado,
o intestinado não digeria o farto fardo
de ruminar tal qual gado
e nunca de si poder ser defenestrado,
deixando o triste legado
de sempre ser grosso
e nunca delgado.

22.6.21

 

O curioso caso de Benjamin Botão

 

 

Nasço?

 

Nasço, não.

 

Apenas renasço.

 

No eterno recomeço que mesmo antes de findar finda seu próprio encerramento.

 

Contínuo 8 ou 80 ou 800.

 

Hoje velho, apoiado na bengala e desapoiado pelas dores.

 

Amanhã novo, sambando na navalha e destroçando amores.

 

Depois, a meia idade das experiências inteiras.

 

Após, a pré-adolescência das certezas passageiras.

 

E então, o bebê que nina a si mesmo já sonhando com as insônias futuras.

 

Aí, o tiozão sessentão que faz troça com a bela moça que passa, mas tropeça na poça das suas lágrimas de desgraça.

 

Anos de um calendário em que os dias viram meses, que voltam pra minutos, que se transformam em décadas apequenadas no zás-trás de cada segundo.

 

O tempo que eu levo pra ser eu seculariza a minha eternidade em milésimos de recomeços.

 

Anos-luz de trevas e clarões.

 

Foi, é e será assim.

 

Semente? Não.

 

Só germino o futuro pra frutificar o passado e colher meu presente.


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