31.5.17

 
Falha estrutural de caráter II


Começou com uma poeirinha que caía dos olhos e minava lágrimas secas de concreto, como se a própria tristeza se recusasse a lavar a porquice que a originara.

Depois eclodiram as múltiplas rachaduras que permeavam continuamente um lodo esverdeado para nos lembrar que nossas verdes e imaturas esperanças eram varizes prestes a explodir em bombas de trombose.

Mesmo o alicerce, onde depositamos todas as nossas fianças e confianças, tremulava mostrando que, no país onde tudo acaba em pizza, havíamos criado um monumento à la torre de Pisa.

Nossa ode à justiça resplandecia o ódio dos injustiçados.

Anos de trabalho buscando a perfeição e só conseguimos erigir um concreto armado que nunca nos amara e, pior, só se armava contra nós.

A queda seria breve.

Já a nossa queda, por mais alto que julgávamos ser, só provaria que um povo esculpido em falsas poses nunca teria posses.

Nem mesmo a de si.

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